Isolamento social e distanciamento – saiba a importância

Em tempos de pandemia, ouvimos muito sobre isolamento social e distanciamento social, e isso nos gera muitas dúvidas, não é mesmo? 🤔

Dr Eduardo Zincone, deu entrevista sobre isolamento social e distanciamento.
Arquivo pessoal
Dr. Eduardo Zincone

Pensando nisso, fizemos esse post com esclarecimentos do Dr. Eduardo Zincone – médico assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP e sócio-diretor da Humanitar Serviços Médicos.

No dia 20 de março o Ministério da Saúde declarou o reconhecimento da transmissão comunitária do novo coronavírus em todo o território nacional, ou seja, o Brasil deve se unir contra o vírus.

Dessa forma, a declaração do Ministério da Saúde coordena todos os gestores nacionais para que adotem medidas para promover o isolamento social e o distanciamento, sendo assim, evitando aglomerações.

Portanto, medidas não farmacológicas devem ser adotadas, ou seja, condutas que não envolvem o uso de medicamentos ou vacinas.

Leia mais sobre Coronavírus.

Veja a entrevista completa, e entenda sobre a importância do isolamento social e distanciamento no Brasil.

Por que durante a pandemia há recomendação para isolamento social?

Para entendermos isso, precisamos primeiramente entender o conceito de R0, que é o número básico de transmissão, desse modo, quantas pessoas um infectado contaminará.

No caso da COVID-19 (CoronaVírus Disease – 19), o R0 básico é estimado entre 2,5 e 3. Dessa forma, para cada pessoa infectada, outras 2,5 a 3 serão infectadas. Isto leva a uma progressão bem rápida, em torno de 60.000 casos em 2 meses, e 14.551.915 em 3 meses. Considerando que a doença seja transmissível no quinto dia pós-contágio.

Outro problema é que, como se trata de um novo vírus, praticamente toda a população mundial é suscetível à infecção.

Como não possuímos vacina (reduziria o número máximo de pessoas que poderiam ser infectadas e reduziria o R0) ou medicamento curativo para a COVID-19, nossa única alternativa é o isolamento social.

O isolamento social reduz o R0, pois, cada pessoa, tendo contato com um número menor de outras pessoas, infecta menos pessoas. Com isso, há redução importante na velocidade de propagação da doença e, também, com menos pacientes graves ao mesmo tempo, possibilitando que o sistema de saúde consiga lidar com a chegada de novos casos.

Se com o isolamento social conseguirmos reduzir o R0 para ao redor de 1, ou seja, se cada infectado contaminar apenas 1 outra pessoa, o sistema de saúde conseguirá lidar de forma muito melhor com a pandemia.

Apenas para comparação, o R0 da “gripe suína” (H1N1) antes da vacinação em massa das pessoas era de 1,4 a 1,6. E o sarampo, doença extremamente contagiosa, apresenta um R0 entre 12 e 16, embora haja alguns estudos com valores ao redor de 18.

O que significa “achatar a curva“?

Lembra do R0? Com a redução do R0 causada pelo isolamento social, o número de casos simultâneos cai, e, com isso, o número simultâneo de pacientes que necessitam de atenção hospitalar, ou, em alguns casos, até mesmo suporte em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e ventilação mecânica.

Evitando a sobrecarga, isto é, havendo disponibilidade de leitos e equipamentos proporcionais ao número de casos.

Acredita-se que a mortalidade da COVID-19 seja em torno de 1%. Este número pode se tornar menor a medida que testamos maior parte da população, e também com a criação de testes sorológicos.

Na Itália, onde os esforços de isolamento social e achatamento da curva foram tardios e pouco eficientes, levando a uma deterioração do sistema de saúde, a mortalidade está entre 8 e 12%.

Confira o artigo do New England Journal of Medicine.

Como achatar a curva da pandemia COVID-19, com medidas não farmacológicas, como isolamento social e distanciamento social
Gráfico modificado pelo especialista em saúde pública Drew Harris com base em recomendações de 2017 – Centers for Disease Control and Prevention (CDC) para a epidemia de gripe.

Meu filho é criança, está com saudade dos avós, posso levá-lo para visitá-los?

Definitivamente não. Os idosos são as pessoas com maior risco para desfecho ruim pela COVID-19, desfechos estes como sequelas graves, complicações e até mesmo óbito.

Ao mesmo tempo, crianças tendem a ser portadores pouco sintomáticos ou mesmo assintomáticos, ou seja, podem transmitir o vírus mesmo sem sintomas, então este contato deve ser sempre evitado.

Qual a distância recomendada devemos ter das pessoas, caso precisemos sair de casa?

A recomendação atual é idealmente 2 metros. Isso porque a transmissão habitualmente é por gotículas, e estas não conseguem “andar” mais que esta distância no ar. Mas sempre precisamos ter cuidados com onde encostamos, pois o vírus pode permanecer ativo em superfícies em torno de 12 horas.

Se precisar ir ao mercado ou à farmácia, quais cuidados deverão ser tomados?

Evitar ficar a menos de 2 metros de distância de outras pessoas, evitar ao máximo tocar o rosto e sempre higienizar as mãos, seja lavando ou utilizando álcool em gel 70%.

Posso passear com meu cachorro na rua ou fazer exercícios ao ar livre?

O ideal é evitar quaisquer atividades que possam levar ao contato próximo com outras pessoas e ter cuidado com as superfícies, porém tomando os devidos cuidados e limitando o tempo do passeio ou dos exercícios é possível, desde que você não tenha outras doenças ou seja idoso.

Onde o vírus se mantém vivo? E por quanto tempo vive em cada objeto?

Já há alguns estudos publicados quanto a isso, até mesmo em jornais médicos de renome, como o New England Journal of Medicine, que mostram uma persistência do vírus em torno de 12 horas na maioria dos materiais (como, por exemplo, plástico, vidro e outros), porém estes estudos foram feitos em condições de laboratório, com temperatura e umidade fixas.

Não há estudos ainda de como o vírus se comporte em materiais expostos à elementos ou mesmo a luz solar, mas por segurança devemos considerar como, no mínimo, 12 horas de persistência do vírus.

Se o vírus circula no ar, mesmo com distanciamento social podemos nos contaminar?

O vírus, em situações normais, não circula no ar e sim em gotículas, como as produzidas quando tossimos ou espirramos.

Em algumas situações específicas que ocorrem geralmente dentro de hospitais, o vírus pode, sim, circular “no ar”, como, por exemplo, quando um paciente está sob ventilação mecânica ou quando realiza uma inalação.

As formas mais habituais, neste momento, para as pessoas se contaminarem, é por meio de superfícies e posterior contato com rosto ou olhos ou por estarem muito próximas de outras contaminadas.

Sempre é importante lembrar que algumas pessoas que pegaram o vírus são assintomáticas, porém mesmo assim podem transmitir o vírus.

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